recap da semana

Fecha uma semana com duas notícias que se encaixam: a bandeira tarifária confirmada e o fim de um programa gigante de renegociação de dívidas.

Na sexta-feira (28/08), a Aneel confirmou que a bandeira tarifária de setembro de 2026 continua amarela, cobrando R$ 1,885 a mais a cada 100 kWh consumidos. É o quinto mês seguido nessa faixa — desde maio o país não sai do amarelo, reflexo do período seco, que reduz o nível dos reservatórios das hidrelétricas e obriga a ligar usinas térmicas mais caras.

E hoje (31/08) é o último dia do Novo Desenrola Brasil, o programa que permitia renegociar dívidas em atraso — cartão, cheque especial, empréstimo pessoal — com desconto de até 90%, juros de 1,99% ao mês e parcelamento em até 48 vezes. Segundo balanço do governo, até o início da última semana do prazo, mais de 5 milhões de dívidas de famílias com renda de até cinco salários mínimos já tinham sido renegociadas: de um total original de R$ 26,33 bilhões pra cerca de R$ 5,27 bilhões, um desconto médio perto de 80%.

De fundo, um boletim da Serasa relativo a maio de 2026 ajuda a explicar por que tanta gente precisou do programa: a renda disponível das famílias — o que sobra depois das despesas fixas — ficou em média em R$ 21,70 a cada R$ 100 recebidos, um dos menores patamares desde 2011, com a Selic a 14% ao ano encarecendo o crédito.

o que vem por aí

Sem reunião do Copom (a próxima é só em 15 e 16/09) e sem o IPCA cheio de agosto (o IBGE só divulga em 11/09), a semana que começa tem dois destaques que olham mais pro retrovisor do que pro futuro imediato — mas ajudam a entender pra onde vai o bolso das famílias brasileiras.

Na terça-feira (01/09), o IBGE divulga o PIB do segundo trimestre de 2026, mostrando quanto a economia cresceu (ou não) entre abril e junho — pra comparação, o primeiro trimestre de 2026 tinha avançado 1,1% ante o fim de 2025. Não é um número que muda sua conta de luz amanhã, mas um PIB mais fraco costuma significar menos vaga de emprego aberta e reajuste salarial mais curto no fim do ano — é o termômetro de fundo por trás de quase tudo o mais que afeta o orçamento.

E tem um dado que conversa direto com o fim do Desenrola: a mais recente Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito do Banco Central, com respostas de 70 bancos, mostrou que as próprias instituições financeiras esperam que a inadimplência das famílias continue piorando no terceiro trimestre de 2026 — mesmo com o efeito do programa de renegociação que acabou de terminar. Ou seja: o desconto aliviou o problema de ontem, mas o motivo de fundo, família gastando mais do que ganha, não foi embora junto com o prazo do programa.

o gancho

Repara na sequência dessa semana: um programa gigante de renegociação de dívidas terminou hoje, e no mesmo instante os próprios bancos já avisam que esperam mais gente atrasando conta nos próximos meses. Não é contradição, é o ciclo de sempre — desconto resolve o problema de ontem, não evita o de amanhã, e o PIB de terça só confirma que o cenário de fundo (menos renda disponível, crédito caro) segue apertado.

A diferença entre voltar pro vermelho em outubro ou não normalmente não é sorte nem depende do próximo pacote do governo. É ter um orçamento que já sabe absorver bandeira amarela, conta que sobe e mês mais apertado, sem precisar de desconto de 90% pra fechar as contas.

Sobe seu extrato no Perrengue Zero: a gente organiza os números do seu mês e sugere um orçamento pro próximo — assim, quando sair a próxima pesquisa do Banco Central sobre inadimplência, você já não faz mais parte da estatística que preocupa os bancos. quase lá!