recap da semana

a prévia da inflação de julho de 2026, o IPCA-15, veio bem mais fraca do que o mercado esperava: segundo o IBGE, divulgado em 28 de julho de 2026, o índice subiu apenas 0,06% no mês, ante 0,41% em junho de 2026 — a maior desaceleração do ano. em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 4,52%, ainda acima da meta de inflação, mas o resultado de julho ajuda a puxar essa conta pra baixo. o motivo da queda foi justamente o que mais pesa no orçamento: alimentação e combustíveis.

segundo o próprio IBGE, a alimentação no domicílio teve deflação de 1,14% em julho de 2026 — a melhor composição pra um mês de julho em 16 anos. picanha, carne bovina, ovos, arroz, gasolina e o gás de botijão ficaram mais baratos na comparação com junho de 2026, dando um respiro concreto pro carrinho de compras e pro posto de gasolina.

vale lembrar que essa notícia é diferente da alta do feijão na cesta básica que trouxemos aqui na semana passada — aquele dado era da pesquisa do Dieese com base em junho de 2026, e esse é o IPCA-15 com preços de julho. ou seja, o feijão ainda pesa no orçamento, mas o quadro geral de julho trouxe mais alívio do que aperto. na mesma semana, a Caixa também seguiu pagando o Bolsa Família de julho de 2026, com valor médio de R$ 679,19 por família — mais um dinheiro entrando no orçamento de milhões de famílias justamente num mês de contas mais folgadas.

o que vem por aí

esta semana (3 a 9 de agosto de 2026), o principal evento do calendário econômico pra quem sente o bolso é a reunião do Copom, marcada pra 4 e 5 de agosto de 2026, com decisão anunciada na noite da quarta-feira. desde março de 2026, o Banco Central vem cortando a Selic reunião após reunião: de 15,00% ao ano caiu pra 14,75% em março, 14,50% no fim de maio, e 14,25% na reunião de 16 e 17 de junho de 2026 — o nível em que a taxa está hoje.

com a desaceleração forte da inflação mostrada pelo IPCA-15 de julho (a mesma prévia da Parte 1 acima), a leitura predominante do mercado é de mais um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic pra 14% ao ano. nem todo analista concorda: algumas casas, como a Warren Investimentos, defendem manter a taxa em 14,25% por enquanto, por causa de riscos de inflação que ainda não desapareceram de vez.

essa decisão afeta direto o custo do cartão de crédito, do cheque especial, de financiamentos e também o rendimento da poupança e de investimentos atrelados ao CDI — quanto menor a Selic, menor tende a ser o custo de quem está devendo, e menor o rendimento de quem está guardando. já o IPCA "cheio" de julho de 2026 (o resultado oficial, não a prévia) só sai em 11 de agosto de 2026 — fora da janela desta semana, mas já na mira da próxima edição.

o gancho

as duas notícias de cima têm um fio em comum: preço de comida e combustível caindo, e juros que devem cair mais um pouco. tudo isso parece bom — e provavelmente é —, mas repara que nenhuma das duas coisas está no seu controle. você não decide se o feijão baixa nem se o Copom corta a Selic.

o que fica sob seu controle é o que você faz com o orçamento independentemente do que sair dessas notícias. quem já tem a vida financeira organizada sente esse tipo de notícia como um bônus — mais uma folga no mês —, em vez de torcer pra ela vir boa só pra fechar as contas.

é essa a diferença que o Perrengue Zero quer te dar: um orçamento que não depende de IPCA vir baixo nem de Selic cair pra funcionar. as notícias vão continuar indo e vindo — mas o seu mês fica de pé de qualquer jeito. quase lá!