recap da semana
depois do IPCA de junho e do aniversário do Mapa da Inadimplência que fecharam a edição passada, essa semana trouxe um dado que muda um pouco o clima: no dia 14 de julho de 2026, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgou a pesquisa PEIC mostrando que o endividamento das famílias brasileiras ficou em 81,6% em junho de 2026 — exatamente o mesmo nível de maio. parece pouco, mas foi a primeira vez em cinco meses que esse número não subiu. o cartão de crédito continua isolado na liderança das dívidas: quase 85% das famílias endividadas usam essa modalidade, bem na frente do crediário de loja e do crédito pessoal.
só que tem um detalhe pra reparar: mesmo com o total parado, a fatia de gente que se diz "pouco endividada" cresceu mais rápido do que a de quem se sente "muito endividada" — sinal de que família nova está entrando no endividamento, ainda que num nível mais leve por enquanto.
do lado da Serasa, o retrato de junho de 2026 (divulgado em meados de julho) mostrou a outra metade da história: o número de brasileiros negativados ainda subiu, chegando a 77,8 milhões — alta de 1,04% frente a maio —, com dívida média de R$ 6.920,63 por pessoa. a boa notícia ali é que esse crescimento está mais devagar do que nos meses anteriores: a dívida nova continua chegando, só que num ritmo menor.
o que vem por aí
essa semana (20 a 26 de julho de 2026) a agenda de indicadores pesados está mais fraca — não tem reunião do Copom nem divulgação de IPCA nos próximos dias. mas isso não quer dizer que não role nada relevante pro seu bolso.
toda segunda-feira o Banco Central publica o Boletim Focus, pesquisa que reúne a expectativa de cerca de 170 instituições financeiras sobre o rumo da economia. na edição de 13 de julho de 2026, o mercado já projetava o IPCA de 2026 em 5,16% — terceira semana seguida de queda na expectativa de inflação —, enquanto a Selic pro fim do ano seguia estimada em 14% ao ano, patamar estável há semanas. hoje a Selic está em 14,25% ao ano, nível definido pelo Copom na reunião de 16 e 17 de junho de 2026.
na prática, o mercado não está apostando nem em aperto forte nem em alívio rápido nos juros por enquanto — o que pesa direto pra quem tem financiamento, cartão no rotativo ou pensa em parcelar uma compra grande. de olho no calendário oficial: a próxima decisão do Copom sobre a Selic sai só em 4 e 5 de agosto de 2026, e o IPCA de julho é divulgado em 11 de agosto de 2026. até lá, vale aproveitar essa semana mais parada pra revisar o orçamento com calma.
o gancho
dá pra notar um padrão nas duas partes de cima: o endividamento das famílias deu uma pausa, mas segue alto, e os juros e a inflação estão numa espécie de compasso de espera até agosto. é tentador ficar de olho no noticiário torcendo pra Selic cair ou pro IPCA vir mais baixo — mas essa torcida cansa, e o resultado não está na sua mão.
o que está na sua mão é como o seu orçamento reage a qualquer cenário que vier. se ele já está organizado, uma Selic de 14% ou 13,5% no fim do ano muda pouco no dia a dia. se não está, qualquer notícia parece ameaça — inclusive um número que, no fundo, nem mudou tanto assim.
é basicamente o que o perrengue zero tenta resolver: seu extrato e sua fatura, categorizados automaticamente, mostram onde o dinheiro está indo antes que o cartão (o mesmo que a PEIC mede todo mês) vire um perrengue pra valer. dá uma olhada no seu diagnóstico do mês — e, se ainda não subiu o extrato de julho, esse é o momento. quase lá!