recap da semana
nos últimos dias, dois números do dia a dia financeiro das famílias brasileiras chamaram atenção. o primeiro veio do IBGE, que divulgou em 10 de julho de 2026 o IPCA de junho: alta de 0,16%, bem mais fraca que a do mês anterior — sinal de que a inflação segue desacelerando, ainda que devagar. isso ajuda a explicar por que o Banco Central tem conseguido cortar a Selic aos poucos sem perder o controle dos preços.
o segundo veio da Serasa, que divulgou um relatório especial marcando 10 anos do seu Mapa de Inadimplência. o retrato não é animador: em 2026, 81,7 milhões de brasileiros estão com o nome sujo, um salto de 38,1% em relação a 2016. mais chamativo ainda: segundo a Serasa, 42% desse grupo — cerca de 34 milhões de pessoas — já estava inadimplente há uma década inteira, o que mostra que, pra muita gente, dívida não é um perrengue passageiro, é um ciclo que se repete ano após ano sem sair do lugar.
no indicador mensal mais recente, referente a julho de 2026, a Serasa também apontou 78,2 milhões de pessoas endividadas no país, leve alta de 0,37% frente a junho — e o valor médio de cada acordo de renegociação fechado no mês ficou em R$ 736, num total de mais de R$ 11,1 bilhões renegociados.
o que vem por aí
a grande data pra ficar de olho nas próximas duas semanas é o Copom: o comitê se reúne nos dias 28 e 29 de julho de 2026 pra decidir o novo patamar da Selic, que está em 14,25% ao ano desde o corte feito na reunião de junho de 2026. o mercado já vem apostando que o ciclo de queda gradual continua, com projeções apontando a Selic fechando 2026 perto de 13,50% ao ano — o que, na prática, tende a significar juros um pouco menores em financiamento, cartão e empréstimo nos próximos meses, se a trajetória se confirmar.
enquanto isso, o retrato do endividamento das famílias segue sendo acompanhado de perto pelo Banco Central: o dado mais recente das Estatísticas Monetárias e de Crédito, referente a fevereiro de 2026, mostrou que 29,7% da renda das famílias brasileiras já está comprometida com o pagamento de dívidas — patamar recorde na série histórica, puxado principalmente pelos juros (mais de 10 pontos percentuais desse total vêm só do custo da dívida, não do valor principal). é um número que ajuda a explicar por que o resultado do Copom no fim do mês importa tanto no dia a dia de quem já está no limite do orçamento.
o gancho
repara que os dois lados desta edição apontam pra mesma direção: uma inflação que desacelera aos poucos e um Copom que pode cortar juros de novo são notícias boas — mas não resolvem sozinhas o problema de fundo, que é o tanto de gente presa num ciclo de dívida que já dura dez anos, como mostrou a Serasa. a diferença entre essas duas realidades quase nunca é "sorte com os índices". é ter um orçamento que já está de pé antes da notícia sair.
quando você sabe exatamente quanto entra, quanto sai e pra onde vai cada real, não precisa torcer pro IPCA vir baixo ou pro Copom cortar mais um pouco pra fechar o mês no azul — o orçamento já dá conta disso. e aí, se a Selic cair e o crédito ficar mais barato, isso vira folga extra, não um respiro desesperado. é basicamente o que o Perrengue Zero tenta fazer: pegar o extrato do mês, sem digitação manual, e te devolver um diagnóstico e um orçamento sugerido pra você não depender de nenhuma manchete pra saber se está indo bem. quase lá — é só subir o extrato do mês que vem.