Faltam menos de três meses para o Natal, e é exatamente por isso que outubro é o mês certo para fazer essa conta — não porque o Natal "já está chegando", mas porque dezembro é o mês em que mais gasto se concentra ao mesmo tempo: ceia, presentes, muitas vezes uma viagem ou confraternização de trabalho, e tudo isso disputando o mesmo salário que já vem comprometido com a segunda parcela do 13º.

Por que dezembro pega o orçamento de jeito

O 13º ajuda, mas não cobre tudo que some do orçamento em dezembro. Ele chega em duas parcelas — a primeira em novembro, a segunda até o dia 20 de dezembro —, e boa parte das famílias já destina esse dinheiro para outra coisa (uma dívida, uma reforma, a reserva de emergência) antes mesmo de pensar na ceia. Quando a conta do fim de ano aparece sem ter sido planejada, o caminho mais rápido é o cartão parcelado — e janeiro chega com a fatura mais pesada do ano, no mesmo mês em que material escolar, uniforme e muitas vezes o IPTU também cobram sua parte.

Quanto a ceia e os presentes costumam custar

Não existe um número fixo — depende do tamanho da família e do padrão de consumo —, mas dá para estimar com uma conta simples: some o valor médio que a família gastou no Natal passado (ou faça uma estimativa conservadora, se não tiver esse registro) com o número de pessoas que recebem presente este ano, multiplicado por um teto que você define antes de sair às compras. Esse total é o que precisa estar guardado até o início de dezembro.

Como dividir a conta ao longo de 3 meses

Pegue o valor total estimado e divida por três — outubro, novembro e dezembro. Esse valor mensal entra no orçamento como uma linha própria dentro do grupo de gastos variáveis, não como algo que sai da sobra do fim do mês (sobra eventual é justamente o tipo de meta que não se cumpre). Se o seu orçamento já usa o método 50-30-20 adaptado, essa reserva de Natal compete com a fatia de "variáveis" ou "lazer", então vale cortar de algum outro gasto discricionário nesses três meses para abrir espaço, em vez de simplesmente comprimir tudo em dezembro.

Defina um teto por pessoa antes de sair às compras

Um dos maiores vilões do orçamento de dezembro não é o valor de cada presente isolado, é a falta de um limite definido antes da compra. Sem teto, cada presente parece razoável na hora, mas a soma de dez presentes "razoáveis" estoura qualquer planejamento. Definir o valor por pessoa em outubro, com a família toda ciente da combinação, evita a decisão por impulso na loja ou no site em dezembro.

Ceia: dividir em vez de pagar tudo sozinho

Se a ceia costuma ser na casa de uma única pessoa da família, vale propor a divisão dos itens entre os parentes — cada casa leva uma parte do cardápio — em vez de quem recebe pagar tudo. Isso reduz o gasto individual sem reduzir a festa, e é uma conversa mais fácil de ter em outubro do que em cima da hora.

Se o 13º não é suficiente

Quando mesmo com planejamento o valor reservado não cobrir tudo, a ordem de prioridade importa: primeiro, reveja o teto de presentes antes de recorrer a crédito. Se ainda faltar, parcelamento sem juros declarado no cartão só vale a pena se o preço à vista for igual ao parcelado — compare sempre antes de fechar a compra, porque muita loja embute o custo do parcelamento no preço anunciado.

Erros comuns que estouram o orçamento de dezembro

  • Comprar presente por impulso em promoção de Black Friday sem ter definido o teto antes.
  • Não contar a confraternização do trabalho e o amigo secreto como parte do orçamento de fim de ano.
  • Deixar a reserva de Natal competir com a reserva de emergência em vez de ser uma linha própria.
  • Pagar sozinho uma ceia que poderia ser dividida entre vários parentes.

Separar esse dinheiro em três parcelas menores, a partir de agora, é a diferença entre fechar o ano com a fatura sob controle ou começar janeiro já tentando se recuperar do Natal.